Bem-vindos a este espaço de partilha de todos para todos

terça-feira, 27 de janeiro de 2015





As Pedras









As pedras são vivas, sim, vivas e conscientes. Elas falam-nos e nós também podemos falar-lhes. Estais surpreendidos...? Pois bem, fazei a experiência procurando comunicar com elas.
Pegai numa pedra com a mão e escutai-a: pouco a pouco, sentireis que ela vos conta a longa história da terra, todos os acontecimentos a que assistiu e que se registaram nela, porque tudo se regista. E também podeis fazer-vos ouvir por uma pedra falando-lhe com amor, pois o amor é a linguagem universal que toda a criação compreende. Se pegardes numa pedra com amor, logo ela vibrará de modo diferente e poderá responder-vos com amor.
Quando souberdes falar às pedras, também podereis confiar-lhes mensagens. Pegareis numa pedra e, impregnando-a com o vosso amor, pedir-lhe-eis que leve a paz e a alegria à pessoa a quem ireis dá-la. Sentireis mesmo que ela está feliz por lhe confiarem essa missão.


Mestre Omraam Mikhael Aivanhov






Greenwaves - Secret Garden (legendado)

O "Salto Quântico" ..10%, o conceito da massa crítica...lembram?

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

“Quis saber quem sou, e encontrei uma multidão.
Eu sou muitos, um pouco de todos.
Exercito dia a dia, repetidamente o descobrir do individuo;
encontro a alegria, o prazer passageiro do corpo que sofre.
Nada é meu, nem mesmo o prazer me pertence.
Relances de uma felicidade egoísta.
Ah, como sou estúpido!
O exercício dia a dia, repetidamente não é para o individuo,
é uma escada para o céu.
No todo eu estou, quem sou?
Talvez nada, porque nada é não ser e não ser é tudo.”


Jorge Fernandes






segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

A Liberdade da Alma





A Liberdade da Alma








Neste início de ano, e como não podia deixar de ser, vamos falar de amor.
Desta feita, falamos daquele que por norma fica esquecido ou ignorado, o amor por nós próprios.
Porque é na sua energia, na sua força, que se geram todas as demais formas de amor. Quem não se ame a si mesmo, é incapaz de amar a outrem, porque só amor, pode recriar e emitir amor.
A inexistência de auto-estima e auto-respeito, promove baixas e duradouras emoções, como seja o apego, a dependência, o ciúme, a paixão obsessiva, mas, nenhuma destas emoções é, amor.
Porque amor, não é emoção mas um sentimento feito de doação, desprendimento e liberdade
Tornou-se comum, ouvirmos os desabafos de pessoas dizendo que não sabem o porquê de continuarem em relacionamentos que lhes acarretam sofrimento e frustração.
Estes relacionamentos podem ser de vária ordem, amizades, amorosos, familiares e até profissionais.
Amigos, uma corrente tem sempre dois extremos, tudo o que está acorrentado a nós só o pode estar porque nós estamos também acorrentados a esse algo ou alguém, porque somos o outro extremo da corrente…
Seja pelos desentendimentos, pelo medo, pelo desejo, por dependência, pela raiva, pelos preconceitos, pelas boas ou más recordações, por empatia energética, por vingança, por complexos de culpa, tudo se torna numa corrente, da qual, nós somos parte.
Como qualquer corrente, e com o tempo, também estas se tornam pesadas, oxidadas, condicionantes, grades para a Alma… 
- É na resistência às situações que as capacitamos e alimentamos com a energia necessária a que se desenvolvam e fortaleçam.
- É pelo reconhecimento e aceitação das mesmas que as purificamos e desmagnetizamos, elevando a nossa vibração para além do campo emocional.
Pela clarificação dos nossos caminhos, resgatamos a matriz do amor, de, e para nós, que assim renovado, será o código dos nossos portais.
O momento supremo da vida e que culmina num esplendor de liberdade, é aquele em que percebemos, e integramos em nós, que nada nem ninguém acresce nem retira nenhuma partícula à nossa felicidade.
A partir do momento em que decidimos ser felizes… felizes seremos em qualquer circunstância.
Em muitos povos, a Alma era associada à borboleta e simbolizada como tal.
Pela libertação da crisálida, a borboleta desperta em cores de céu e asas de anjo, será esse o esplendor que veremos reflectido no lago da estima e do amor pessoal… e as asas, existem para voar.



Maria Adelina de Jesus Lopes











            Os Portais do Rei Ki









Este título é em si mesmo sugestivo… porque afinal todos conhecem o Rei Ki como terapia, mas, como repetimos exaustivamente, o Rei ki é uma terapia diferente….
Vamos então à descoberta dessa diferença…Comecemos por esclarecer o que é “terapia e terapeuta” :
- Terapia: é um processo de cura
- Terapeuta: é o agente de cura
Para formar terapeutas existem escolas, institutos que com toda legitimidade e que dentro do seu campo de conhecimentos formam terapeutas.
Mas, o Rei Ki é diferente….
Prosseguindo à descoberta da tal diferença, e quando analisamos em profundidade as circunstâncias vivenciais da sociedade actual, exacerbadamente materialista, verificamos que os terapeutas (mesmo os chamados alternativos), estão já totalmente inseridos no que eu chamo a Matrix. Ou seja um sistema onde se faz a apologia da doença, e não o da cura. Este é o estado actual da nossa sociedade!
São tantos a quererem curar outros tantos, que na conivência e estimulados por lobbies poderosíssimos como são as mega indústrias farmacêuticas, tudo roda para alimentar a ideia generalizada de que somos todos doentes…
Esta ideia está tão enraizada, que muitas pessoas que têm em si mesmas as ferramentas da cura, no entanto, continuam a preferir o auto-envenenamento sistemático pelos fármacos ou a recorrência a tratamentos milagrosos, ou máquinas sofisticadas, que apenas disfarçam os sintomas, ou têm o efeito placebo, sem nunca eliminarem a causa.
Existem umas partilhas da autoria de Trigueirinho  “Os curadores em oposição aos curandeiros” cuja leitura recomendamos. O sistema do curandeirismo, tal como o dos fármacos, atenua e disfarça por horas, dias ou até meses a sintomatologia, mas não cura a causa das desarmonias.
Amigos… ninguém cura ninguém – Somos nós que nos curamos a nós próprios, e o ideal é, evitar, prevenir a doença…
Para tal, somos livres de exercer o direito de opção pela saúde ou pela doença. Para fazermos isso, temos antes de mais de nos conhecermos, e quando gradualmente vamos conhecendo este Ser que somos, em todas a suas vertentes, quando nos permitimos reconhecer as nossas facetas emocionais desalinhadas, quando nos permitimos abrir a mente para novas formas de estar e ser, quando permitimos ao nosso coração que se expresse pela sua verdade, a sua única verdade, que é o Perdão e o Amor Incondicional, nada, mas nada nos pode atacar em qualquer dos nossos campos dimensionais ou corpos.
Quando afirmamos que o Rei Ki é diferente, é pelo simples facto de que este tem duas vertentes, numa primeira e básica abordagem, o Rei Ki é realmente uma terapia, que actua no imediato, em qualquer área dos corpos e nivela, vitaliza, harmoniza, e abre os portais à cura. Mas quem tem que passar os portais é a própria pessoa, sejamos nós ou outro, que veio à procura de ajuda.
Mas, ninguém consegue passar os portais com as vestes que sempre usou, é preciso remodelar o fato, ……porque somos seres perfeitos, que ao longo de vidas fomos armazenando múltiplas estirpes de bactérias astrais ….
A outra faceta do Rei Ki é a vertente espiritual, porque a Energia é Sagrada, é a expressão do Espírito ao serviço, pela entrega total.
Rei Ki é o Espírito Santo…chega a todos? Paira sobre todos, está ao alcance de todos no seu máximo limite de descida! Depois, toca-nos a nós elevar-nos, um pouquinho que seja, para que o encontro se dê.
Existem também os casos das curas chamadas milagrosas em que num simples passe magnético, num toque, num tratamento, alguém se cura de uma longa e difícil doença.
Nestes casos, que estão documentados ao longo da História e da qual Jesus é figura central, existem dois factores fundamentais, dois ingredientes que na sua fusão alquímica promovem o milagre:
- um desses elementos é o amor (mas um amor de qualidade e quantidade tão plena, que quando estamos em desarmonia não conseguimos sequer percebê-lo), este era o amor que Jesus emitia
- o segundo elemento, mas não menos importante, a contra- parte do milagre, é a Fé da pessoa que pede ajuda, o acreditar, o querer! ELE dizia-o sempre, quando um destes milagres ocorria “ A tua Fé te salvou”.
Aqui, e nos tempos actuais, o conceito Fé tem que ser acrescido pelo conhecimento, saber aquilo que somos, e optar, por aquilo que queremos ser e isto faz-se pelo desbravar o conhecimento.
Depois é só meter pés a caminho, o do meio, o TAO.
Ao trilhar o caminho, as pessoas adquirem uma expansão de consciência, reparem, não é uma nova consciência, porque ela é só uma, é a expansão da sua própria consciência.
Como um balão que estivesse amarfanhado pelas nossas pequenas mentes egóicas, pelas nossas emoções doentias, que de repente se solta dessas correntes, enche-se de ar puro e começa a subir e quanto mais sobe, obtêm-se, naturalmente, outras perspectivas, que por sua vez facilitam continuar a subida.
Nas civilizações antigas, remanescentes da Atlântida, entre elas a Egípcia, existiu e ainda existe, um grande saber oculto, que gradualmente vai sendo desvendado à humanidade, exactamente na proporção que cada ser tem capacidade para assimilar.
Nessa civilização fundaram-se as famosas Escolas de Mistérios, de onde saíram posteriormente grandes Mestres.
As pessoas que pelo seu trabalho e mérito conseguiam ser aceites nessas escolas eram chamados de Iniciados, que significa: procurar a conexão do homem com o Universo, a junção ou fusão da dualidade, o conhecimento do que vai além do físico, por outras palavras, ir ao encontro da metafísica, a superação da missão motivadora da nossa encarnação.
Amigos, é o tempo de recuperar a compreensão e o respeito pela tradição, não a limitadora, mas a sábia, que nos ensina que o processo é por vezes longo, mas fascinante. Não se “formam” pessoas em Rei Ki, menos ainda por atacado….
Rei Ki, é um estado de consciência a atingir gradualmente, conforme vamos fazendo, e de que forma fazemos, o TAO (Caminho)….
Porque não é a ferramenta que faz o trabalhador, é a prestação e o equilíbrio do trabalhador que atrai a si, mais e melhores ferramentas…
E aí, emerge a Maestria, porque esta é algo que deve nascer de dentro para fora, e que se expande até tocar as fímbrias de outros seres.
Somos uma Família, em que cada um de nós é em si mesmo uma semente, que a seu devido tempo vai desabrochar, ser Água Viva para tudo o que o rodeia, ser a boa semente de outros campos, para o qual devemos ainda fortalecer-nos, que o caminho é longo.

A palavra TERAPIA vem de THERAPEUEN, palavra de origem grega e que significa INICIAÇÃO



Maria Adelina de Jesus Lopes







quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Poema Sufi - Rumi

"Hoje, apenas hoje", um texto do Papa João XXIII

Procurarei viver pensando apenas no dia de hoje, sem querer resolver de
uma só vez todos os problemas da minha vida.

Hoje, apenas hoje, terei o máximo cuidado na minha convivência: afável nas minhas maneiras, a ninguém criticarei, nem pretenderei melhorar, nem corrigir ninguém à força se não a mim mesmo.

Hoje, apenas hoje, serei feliz na certeza de que fui criado para a felicidade, não só no outro mundo mas também já neste.

Hoje, apenas hoje, adaptar-me-ei às circunstâncias sem pretender que sejam todas as circunstâncias a adaptarem-se aos meus desejos.

Hoje, apenas hoje, dedicarei dez minutos do meu tempo a uma boa leitura. Assim como o alimento é necessário para a vida do corpo, assim a boa leitura é necessária para a vida do espírito.

Hoje, apenas hoje, farei ao menos uma coisa que me custa fazer; e se me sentir ofendido nos meus sentimentos, procurarei que ninguém o saiba.

Hoje, apenas hoje, farei uma boa acção, e não o direi a ninguém.

Hoje, apenas hoje, executarei um programa pormenorizado. Talvez não o cumpra perfeitamente, mas ao menos escrevê-lo-ei. E fugirei de dois males: a pressa e a indecisão.

Hoje, apenas hoje, acreditarei firmemente - embora as circunstâncias mostrem o contrário - que Deus se ocupa de mim como se não existisse mais ninguém no mundo.

Hoje, apenas hoje, não terei qualquer medo. De modo especial não terei medo de apreciar o que é belo e de crer na bondade.



João XXIII, Papa


Partilhado por Elisabete Pinho

Charlie Hebdo: uma reflexão difícil.

BOAVENTURA SOUSA SANTOS

14/01/2015 - 05:19 - Jornal "O Público"


"Não estamos perante um choque de civilizações, até porque a cristã tem as mesmas raízes que a islâmica. Estamos perante um choque de fanatismos, mesmo que alguns deles não apareçam como tal por nos serem mais próximos.
O crime hediondo que foi cometido contra os jornalistas e cartoonistas do Charlie Hebdo torna muito difícil uma análise serena do que está envolvido neste acto bárbaro, do seu contexto e seus precedentes e do seu impacto e repercussões futuras. No entanto, esta análise é urgente, sob pena de continuarmos a atear um fogo que amanhã pode atingir as nossas consciências. Eis algumas das pistas para tal análise.
A luta contra o terrorismo, tortura e democracia. Não se podem estabelecer ligações directas entre a tragédia do Charlie Hebdo e a luta contra o terrorismo que os EUA e seus aliados têm vindo a travar desde o 11 de Setembro de 2001. Mas é sabido que a extrema agressividade do Ocidente tem causado a morte de muitos milhares de civis inocentes (quase todos muçulmanos) e tem sujeitado a níveis de tortura de uma violência inacreditável jovens muçulmanos contra os quais as suspeitas são meramente especulativas, como consta do recente relatório presente ao Congresso norte-americano. E também é sabido que muitos jovens islâmicos radicais declaram que a sua radicalização nasceu da revolta contra tanta violência impune. Perante isto, devemos reflectir se o caminho para travar a espiral de violência é continuar a seguir as mesmas políticas que a têm alimentado como é agora demasiado patente. A resposta francesa ao ataque mostra que a normalidade constitucional democrática está suspensa e que um estado de sítio não declarado está em vigor, que os criminosos deste tipo, em vez de presos e julgados, devem ser abatidos, que este facto não representa aparentemente nenhuma contradição com os valores ocidentais. Entramos num clima de guerra civil de baixa intensidade. Quem ganha com ela? Certamente não o partido Podemos em Espanha ou o Syriza na Grécia.
A liberdade de expressão. É um bem precioso mas tem limites, e a verdade é que a esmagadora maioria deles são impostos por aqueles que defendem a liberdade sem limites sempre que é a "sua" liberdade a sofrê-los. Exemplos de limites são imensos: se em Inglaterra um manifestante disser que David Cameron tem sangue nas mãos, pode ser preso; em Franças, as mulheres islâmicas não podem usar o hijab; em 2008 o cartoonista Maurice Siné foi despedido do Charlie Hebdo por ter escrito uma crónica alegadamente anti-semita. Isto significa que os limites existem, mas são diferentes para diferentes grupos de interesse. Por exemplo, na América Latina, os grandes média, controlados por famílias oligárquicas e pelo grande capital, são os que mais clamam pela liberdade de expressão sem limites para insultar os governos progressistas e ocultar tudo o que de bom estes governos têm feito pelo bem-estar dos mais pobres. Aparentemente, o Charlie Hebdo não reconhecia limites para insultar os muçulmanos, mesmo que muitos dos cartoons fossem propaganda racista e alimentassem a onda islamofóbica e anti-imigrante que avassala a França e a Europa em geral. Para além de muitos cartoons com o Profeta em poses pornográficas, um deles, bem aproveitado pela extrema-direita, mostrava um conjunto de mulheres muçulmanas grávidas, apresentadas como escravas sexuais do Boko Haram, que, apontando para a barriga, pediam que não lhes fosse retirado o apoio social à gravidez. De um golpe, estigmatizava-se o islão, as mulheres e o Estado social. Ao longo dos anos, a maior comunidade islâmica da Europa foi-se sentindo ofendida por esta linha editorial, mas igualmente foi pronta no seu repúdio deste crime bárbaro. Devemos, pois, reflectir sobre as contradições e assimetrias na vida vivida dos valores que cremos serem universais.
Tolerância e "valores ocidentais". O contexto em que o crime ocorreu é dominado por duas correntes de opinião, nenhuma delas favorável à construção de uma Europa inclusiva e intercultural. A mais radical é frontalmente islamofóbica e anti-imigrante. É a linha dura da extrema-direita em toda a Europa e da direita, sempre que se vê ameaçada por eleições próximas (o caso de Antonis Samara na Grécia). Para esta corrente, os inimigos da nossa civilização estão entre nós, odeiam-nos, têm os nossos passaportes, e a situação só se resolve vendo-nos nós livres deles. A outra corrente é a da tolerância. Estas populações são muito distintas de nós, são um fardo, mas temos de as "aguentar", até porque nos são úteis; no entanto, só o devemos fazer se elas forem moderadas e assimilarem os nossos valores. Mas o que são os "valores ocidentais"? Depois de muitos séculos de atrocidades cometidas em nome deles dentro e fora da Europa – da violência colonial às duas guerras mundiais –, exige-se algum cuidado e muita reflexão sobre o que são esses valores e por que razão, consoante os contextos, ora se afirmam uns ora se afirmam outros. Por exemplo, ninguém põe hoje em causa o valor da liberdade, mas já o mesmo não se pode dizer dos valores da igualdade e da fraternidade. Ora, foram estes dois valores que fundaram o Estado social de bem-estar que dominou a Europa democrática depois de Segunda Guerra Mundial. No entanto, nos últimos anos, a protecção social, que garantia níveis mais altos de integração social, começou a ser posta em causa pelos políticos conservadores e é hoje concebida como um luxo inacessível para os partidos do chamado "arco da governabilidade". A crise social causada pela erosão da protecção social e pelo aumento do desemprego, sobretudo entre jovens, não será lenha para o fogo do radicalismo por parte dos jovens que, além do desemprego, sofrem a discriminação étnico-religiosa?
O choque de fanatismos, não de civilizações. Não estamos perante um choque de civilizações, até porque a cristã tem as mesmas raízes que a islâmica. Estamos perante um choque de fanatismos, mesmo que alguns deles não apareçam como tal por nos serem mais próximos. A história mostra como muitos dos fanatismos e seus choques estiveram relacionados com interesses económicos e políticos que, aliás, nunca beneficiaram os que mais sofreram com tais fanatismos. Na Europa e suas áreas de influência é o caso das cruzadas, da Inquisição, da evangelização das populações coloniais, das guerras religiosas e da Irlanda do Norte. Fora da Europa, uma religião tão pacífica como o budismo legitimou o massacre de muitos milhares de membros da minoria tamil do Sri Lanka; do mesmo modo, os fundamentalistas hindus massacraram as populações muçulmanas de Gujarat em 2003; é também em nome da religião que Israel continua a impune limpeza étnica da Palestina e que o chamado Emirado Islâmico massacra populações muçulmanas na Síria e no Iraque. Várias perguntas sem resposta por agora. A defesa da laicidade sem limites numa Europa intercultural, onde muitas populações não se reconhecem em tal valor, será afinal uma forma de extremismo? Os diferentes extremismos opõem-se ou articulam-se? Quais as relações entre os jihadistas e os serviços secretos ocidentais? Por que é que os jihadistas do Emirado Islâmico, que são agora terroristas, eram combatentes de liberdade quando lutavam contra Kadhafi e contra Assad? Como se explica que o Emirado Islâmico seja financiado pela Arábia Saudita, Qatar, Kuwait e Turquia, todos aliados do Ocidente? Uma coisa é certa, pelo menos na última década, a esmagadora maioria das vítimas de todos os fanatismos (incluindo o islâmico) são populações muçulmanas não fanáticas.
O valor da vida. A repulsa total que sentimos perante estas mortes deve-nos fazer pensar por que razão não sentimos a mesma repulsa perante um número igual ou muito superior de mortes inocentes em resultado de conflitos que, no fundo, talvez tenham algo a ver com a tragédia do Charlie Hebdo? No mesmo dia, 37 jovens foram mortos no Iémen num atentado bombista. No verão passado, a invasão israelita causou a morte de 2000 palestinianos, dos quais cerca de 1500 civis e 500 crianças. No México, desde 2000, foram assassinados 102 jornalistas por defenderem a liberdade de imprensa e, em Novembro de 2014, 43 jovens, em Ayotzinapa. Certamente que a diferença na nossa reacção não pode estar baseada na ideia de que a vida de europeus brancos, de cultura cristã, vale mais que a vida de não europeus ou de europeus de outras cores e de culturas assentes noutras religiões. Será então porque estes últimos estão mais longe de nós ou conhecemo-los pior? Será porque os grandes média e os líderes políticos do Ocidente trivializam o sofrimento causado a esses outros, quando não os demonizam ao ponto de nos fazerem pensar que eles não merecem outra coisa?"


BOAVENTURA SOUSA SANTOS  - Director do Centro de Estudos Sociais, Laboratório Associado, da Universidade de Coimbra


terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Homenagem ao grande Khalil Gibran na data do seu nascimento




Khalil Gibran, 

 6 de Janeiro 1883/ 
10 de Abril 1931




Um dos maiores nomes da literatura, mas essencialmente um espírito elevado e sensível como expõe na sua poesia e ensinamentos



domingo, 4 de janeiro de 2015

Regeneração


                         
                            Regeneração








Que melhor data que estes primeiros dias do ano para uma reflexão d`alma.
Fazendo uso da regra de Aristóteles “Cada um receberá em conformidade com seus méritos ou necessidades”, esta afirmação aparentemente simples, é na realidade a promessa celeste de que cada um recebe a cada momento as alfaias devidas, não para sua auto complacência, mas para sua regeneração.
“Cuidado com o que pedes, pode ser-te concedido”, por vezes, o que parecem ser respostas a desejos e almejos, são ferramentas probatórias, códigos, que apenas a consciência superior pode decifrar. Nunca uma benesse divina servirá de “prémio” ao desejo do ser. Estas, têm como meta o plus–ultra do ego, na reposição da harmonia entre as almas envolvidas. Porque toda alma faz parte de um grupo, de uma família de almas, onde cada uma é, o suporte ascensional das outras.
Para além da visão comum, vemos a frágil veste espiritual que cobre as fúrias combatentes do mundo astral. Nestes campos, e nas horas de sono, são muitos os que ali se comprazem nas lutas acérrimas, ódios antigos, alimentados ainda, pelas frustrações diárias das suas opções de vida, e incendiados pelas marcas traumáticas dos seus passados.
No estado de vigília, e sob uma fina camada do verniz da convencionalidade rastreiam a senda da felicidade, que se torna indistinta na poeira da convulsão emocional em que se deixam envolver. Proclama-se um bem-estar nunca conhecido, um amor nunca sentido, uma paz nunca vivida.
Quantas vezes fazem-se vivências simultâneas, nas mais variadas frequências vibratórias. O ser holístico absorve do subconsciente (Akasha) a radiação predominante que vai impregnando os diversos corpos dimensionais.
Aquilo a que é dado chamar de expansão ou maturidade consciencial, nada mais é que fazer uso dos três Tês:
-Transferir – de forma gradual o acervo para o plano do mental superior
-Transmutar – reconhecer, trabalhar e curar as feridas da alma
-Transcender – para o plano búdico ou espiritual (o ser regenerado, renascido)
A receita que permite a transcendência deste estágio é a simplicidade. É o despir todas as capas e máscaras, formadas pelo orgulho, preconceito, complexos, insegurança, medo. É o permitir a emersão da criança interior, doce e purificada, e tal como proclamou o Mestre, “nascer de novo, da Água e do Espírito”



Maria Adelina de Jesus Lopes - Do livro Ponte de Palavras